Maxixe, A Dança Perdida, 32', 1980, Brasil.


Documentário de Alex Viany fala sobre o surgimento e a trajetória do maxixe: do predomínio nos salões, bailes e teatro de revista, passando pelo sucesso na Europa e Estados Unidos, até cair no esquecimento.

Segundo o professor de cinema e crítico Luís Alberto Rocha Melo, em seu último filme, Maxixe, a Dança Perdida, Alex Viany preserva a espontaneidade do documentário que não se limita a linguagens únicas e nem se fixa em esquematismos na composição das cenas. Elas apresentam uma delicadeza ímpar, que contrasta com o rigor de sua pesquisa, valor que marca toda a obra do cineasta.    


Sobre o cineasta Alex Viany


Almiro Viviani Fialho (Rio de Janeiro, 1918 -1992) foi um grande diretor, roteirista, crítico, jornalista e historiador brasileiro. Cria de Cascadura, subúrbio carioca, aos 15 anos, sob o pseudônimo de Alex Viany, escreve sobre cinema para o Diário da Noite, órgão dos Diários Associados. Em 1942, transfere-se para a revista O Cruzeiro e torna-se correspondente em Hollywood de 1945 a 1948. De volta ao Brasil, edita, com Vinícius de Moraes (1913-1980), duas edições da revista Filme. Em 1948, funda o Círculo de Estudos Cinematográficos do Rio de Janeiro.

A partir de 1949, exerce a atividade de crítico cinematográfico em diversas publicações, como A Cena Muda, Jornal do Brasil e Correio da Manhã. Em 1950, contratado pela Companhia Cinematográfica Maristela, trabalha como roteirista em São Paulo.

Em 1951, ao lado de Nelson Pereira dos Santos (1928), funda a Associação Paulista de Cinema e envolve-se na formulação de teses e nas discussões apresentadas no 1o Congresso Paulista do Cinema Brasileiro. Em 1952 e 1953, organiza respectivamente o 1o  e 2o  Congresso Nacional do Cinema Brasileiro. Essa atividade político-profissional coincide com a militância de Viany no Partido Comunista Brasileiro.

Estreia como diretor em 1953, no longa-metragem Agulha no Palheiro. Em 1954, dirige Rua sem Sol, que recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor diretor, melhor ator para Carlos Alberto e melhor atriz para Glauce Rocha (1930-1971). Em 1955, dirige “Ana”, episódio do longa-metragem A Rosa dos Ventos (1954-1957), produzido pelo Partido Comunista da Alemanha Oriental, sob organização do cineasta holandês Joris Ivens (1898-1989).


O trabalho como historiador é marcado pela publicação do livro Introdução ao Cinema Brasileiro (1959). Durante a década de 1960, trabalha como editor na Civilização Brasileira, responsável pela coleção Biblioteca Básica de Cinema. Em 1963, dirige Sol sobre a Lama, rodado na Bahia e sob  influência do cinema novo. Realiza o último longa-metragem da carreira, apenas em 1978, com A Noiva da Cidade.


Dirige os curtas-metragens A Máquina e o Sonho (1974), Humberto Mauro: eu Coração Dou Bom (1979) e Maxixe, a Dança Perdida (1980). Falece aos 74 anos de idade, vítima de um derrame cerebral, e deixa um importante legado para diversas gerações do cinema brasileiro.


Fonte

Enciclopédia Itaú Cultural